quarta-feira, 21 de março de 2018

A ORIGEM POLÍTICA DA FAMÍLIA DE LUCIANO PIZZATTO

    Na rede social, o professor da Universidade Federal do Paraná, Ricardo Costa de Oliveira, explica a origem política (e econômica) da família de Luciano Pizzatto. O ex-deputado federal morreu nessa madrugada em Brasília. Veja.
    
 Lamento o falecimento do Luciano Pizzatto em Brasília. Mal súbito. Em famílias como a Pizzatto encontramos os dilemas e fracassos da modernização da burguesia imigrante do final do século XIX. Luciano era secretário de representação do Paraná em Brasília. Ex-deputado estadual e federal por várias legislaturas. Foi presidente da Companhia Paranaense de Gás na gestão Beto Richa. Sua última disputa eleitoral foi como candidato a vice-prefeito de Curitiba na chapa da jovem oligarca Maria Victoria Borghetti Barros, com uma imensa diferença de idade, experiência e trajetória. Luciano estava próximo da vice-governadora Cida Borghetti, esposa do ministro da Saúde, Ricardo Barros e cotado para alguma secretaria, após a presumida saída de Beto Richa para disputar as eleições de outubro. Passou por vários partidos. O bisavô Pedro Nolasco Pizzatto, filho de imigrantes italianos de Araucária, próximo de Curitiba, começou a acumular poder político e riquezas, ao adquirir um imenso latifúndio na região de Palmas/General Carneiro. O avô Dorcel Antonio Pizzato foi empresário e presidente do Sindicato dos Madeireiros no período do Estado Novo. O pai, Douglas Pedro Pizzato, também foi homem rico e ativo no meio empresarial. Família atuante no futebol do Coxa, nas associações empresariais e clubísticas. A venda de terras da fazenda da família Pizzatto para o Parque das Araucárias teve muitas polêmicas, no final do governo Lerner, sobre os imensos valores pagos. Luciano Pizzatto vivia de cargos comissionados no Governo do Paraná nos últimos anos e sua esposa, Dora Maria Ficinski Dunin Pizzatto, também é presidenta do Instituto Curitiba de Saúde, nomeação do prefeito Greca de Macedo. Mais uma trajetória de uma família da imigração italiana do final do século XIX, da burguesia madeireira para o atual estamento burocrático-estatal, diria Raymundo Faoro. Não apresentam as raízes do antigo senhoriato, mas aprenderam logo o papel do Estado e da política no Brasil.

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