NΓ£o tenho pena dos jogadores. SΓ£o todos consagrados, celebridades, os que ainda nΓ£o sΓ£o (nΓ£o sΓ£o?) caminham para isso...Jogam em grandes clubes da Europa. Recebem salΓ‘rios milionΓ‘rios. Em Euro ou em Libra. Moram em mansΓ΅es, tΓͺm os melhores carros que o ser humano possa imaginar. Sonham alto, pois viajam em jatinhos particulares.
Terminada a Copa, esses pegam seus jatos executivos e voltam para o conforto do lar. Vida milionΓ‘ria que segue...
Tenho pena dos pobres e dos coitados.
Tenho pena dos vendedores de camisetas e de bandeiras que armaram o varalzinho nas praΓ§as esperando cada vitΓ³ria do Brasil pra vender uma camisa a mais, uma bandeira a mais que garantisse o pΓ£o de cada dia dele e da famΓlia. A pinguinha dele, porque, com tudo isso, relaxar Γ© preciso...
Tenho pena das crianΓ§as. Essas vivem a (eterna) ilusΓ£o de que o Brasil Γ© invencΓvel; que os jogadores em campo sΓ£o super-herΓ³is e defendem nossa seleΓ§Γ£o como se estivessem defendendo o paΓs numa guerra. Γ a inocΓͺncia infantil sofrida que entristece.
Tenho pena, ainda, dos pequenos comerciantes. O cara que tem um pequeno bar ou restaurante. Que gasta uma grana (muitas vezes Γ© curta!) pra comprar flΓ’mulas e bandeirolas e enfeitar um pouco o boteco acanhado ou o lugar onde serve aquele PF honesto para os trabalhadores.
Tenho pena, sim, do pobre trabalhador pobre. Que leva uma vida desgraΓ§ada, com muitas dificuldades e vΓͺ, no futebol, na seleΓ§Γ£o, a ΓΊnica diversΓ£o, a felicidade em forma de bola. Mais uma vez fica frustrado.
A eles, o meu respeito, a minha consideraΓ§Γ£o e o meu abraΓ§o.
Com tudo isso, Γ© o povo brasileiro que bate um bolΓ£o para sobreviver.
Γ a vida pobre que segue...
* Imagem feita com auxΓlio da I.A.
