Que Wagner Moura é um baita ator (um "camaleão" das telas que interpreta vários tipos...), o Brasil, o mundo e até os aliens sabem disso. A americana descendente de coreanos, Greta Lee, é uma boa atriz. Tanto é que foi indicada ao Globo de Ouro de Melhor Atriz, em 2024, pelo filme "Vidas Passadas".
Poisintão... eles formam um casal (que tem um casal de filhos ainda pequenos) na ficção científica "A Última Casa" (2026, Netflix), o novíssimo trabalho do nosso bom baiano. Resumo:
A família vive numa cidade à beira-mar dos EUA. Eles e mais toda a vizinhança (o que leva a crer a cidade toda...) do nada se veem presos dentro de suas casas. Portas trancadas, janelas inquebráveis, sem saber o motivo. Alguém ou alguma(s) coisa(s) assumiu o controle da localidade.
Só dá pra se comunicar com os vizinhos através de cartazes com frases curtas porque a internet e quaisquer outros meio de comunicação caíram... O que acontece? Eles precisam descobrir o porquê de tudo aquilo; tentar arranjar um jeito de sobreviver (porque o confinamento vai ser longo e a comida vai acabando...); e aprender a conviver com os parentes mais próximos por tanto tempo num espaço pequeno. Óbvio que vai pintar aquele estresse...
A produção tem alguns problemas: Por mais que Moura e Lee façam uma boa interpretação (principalmente nos momentos mais tensos), o filme não se define em ficção, terror ou drama. Tenta ser um pouco de cada e acaba não sendo nada.
O roteiro poderia ter sido um belo estudo de personagens. Não é. Poderia trabalhar melhor o perfil de cada um. Não trabalha. E, apesar de ter 1h50 de produção, apressa em muitas partes. Vira "correria" com uma edição frenética.
Culpa de quem? Quem leva a maior parcela nesse pecado é o diretor francês Louis Leterrier. Porque "pressa" e "pancadaria" é com ele mesmo! Já dirigiu um filme de Velozes e Furiosos e, a princípio, está escalado para dirigir o que promete ser o último dessa franquia com previsão de lançamento em 2028 (!). Também já passou pelas mãos dele "Carga Explosiva 2", que é, literalmente, tiro, porrada e bomba!
Aí, com um diretor assim, como é que você vai pedir "profundidade" e "humanismo" dos personagens. Não dá, né?!
Depois que eu li a filmografia do francês, entendi porque Wagner Moura tem um momento "veloz e furioso" dentro da garagem de casa com um carro esportivo. Será que tentaram criar um "globo da morte"?
Um detalhe que não me passou despercebido: O sobrenome do personagem do ator brasileiro é Delgado, apesar de ele ser americano na história... ou seja, para os americanos (estúdios, roteiristas, produtores...) artista que é latino (e isso não é motivo de vergonha, deve ser de orgulho!), nunca vai ser visto como "americano nato". Sempre vai parecer ser "o outro".
E o roteiro oscila tanto, balança tanto, que o final é bem "matado", bem previsível.
O diretor de "Velozes e Furiosos" derrapou nesse filme. Quando ele tem que EXPLICAR O FIM numa entrevista é porque alguma(s) coisa(s) saiu errada...
E fica bem claro que, em algumas vezes, o elenco parece trabalhar só pelo cachê pra pagar os boletos do fim do mês.
Sei que é sonhar muito. Mas imagine que filmaço uma história como essa não teria ficado nas mãos, por exemplo de ... Alfred Hitchcock ou de... M. Night Shyamalan???
