"Assisto, perplexo, a imprensa comercial, que é, algumas vezes, também profissional (e, menos vezes, ainda também eticamente honesta) noticiar as eleições brasileiras como se elas estivessem se dando na normalidade da plenitude democrática. Na minha opinião, não é essa a verdadeira notícia. O que está acontecendo é a permanência da tentativa de golpe de estado, o que tem sido a norma no Brasil. O filho do comandante do golpe último tentado, assim como os outros candidatos que se dizem de direita (nem ideologia merecem ter reconhecida tão intelectualmente desonestos que são) insistem no direito que teriam de anistiar golpistas e libertar o líder. Ainda, e como tenho dito, a atual administração dos EUA (que é fiel representante de parte considerável de seus cidadãos) quer comandar a dita “américa latina” e não reconhece nenhum limite para exercer a sua vontade. A invasão estadunidense, tenho dito, deu-se já eletronicamente. Trocamos as ruas pelas redes e as redes pertencem a empresas estadunidenses. Engana-se quem pensa que as redes antissociais são espaços isentos. Não o são, penso eu! As redes estão organizadas para viciar quem por elas passa e viciar em comportamentos agressivos que se iniciam pela falta de educação possibilitada pela presença não-física das pessoas que se encontram nelas.[...] As redes estão organizadas para facilitar a mentira e incentivar a agressividade. [...] Uma corja de bandidos ruma em direção a cargos no legislativo e as debilidades éticas de certos membros do judiciário são evidentes. A notícia a ser dada é a do provável colapso do pouco que resta de nossa democracia. Mas, em lugar dessa verdade, os golpistas são reportados como se fossem legítimos participantes de uma democracia. Não o são!"
* Pedro Cardoso está em Paris para apresentação de uma peça de teatro.
** Esse texto ele publicou na rede social.