Palavras do jornalista Luís Nassif que em setembro de 2026 completa 55 anos na profissão. Ele passou por grandes e influentes redações, mas, nesses lugares, sempre procurou deixar sua marca de "inconformismo": A de que empregado não deve simplesmente fazer o que o patrão manda.
Por esse motivo, em 2013, resolveu trabalhar por conta própria fundando o Jornal GGN (Grupo Gente Nova) , que vem a ser um portal na internet. A tese de Nassif é interessante: Se o jornalista é atraído por um salário (que o mercado de trabalho considera bom, ou algumas vezes muito bom...), pagamento em dia, benefícios sociais e de saúde, e oferece condições interessantes de infraestrutura, é natural que muita gente não pense duas vezes e "se abrace ao projeto".
Mas qual é o "projeto"? Grandes empresas de mídia, na maior parte dos casos, tratam a notícia como se fosse um produto para vender. É uma "commodity" que vai virar um bem maior: Dinheiro. Através do tratamento que é dado, vira audiência. Isso significa grana!
No mundo da comunicação existe a verdade e a verdade que os empresários querem que as pessoas entendam. Ou seja, a verdade nem sempre é verdadeira. Depende do interesse econômico e político.
Os jornalistas uma hora percebem que foram seduzidos pela lógica corporativa com o chamado bom emprego. Mas aí, para muitos (e um bom tanto já endividado, cheio de boletos, que o salário gordo - em relação à concorrência - proporciona...) fica bem difícil largar essa empresa mesmo que os princípios dela não sejam exatamente os princípios do profissional.
E se o tratamento que a informação deve ter pra virar notícia já vem de cima, pra que se indispor com a chefia? Para que "correr riscos"?
Aí entra a questão do jornalismo investigativo: Que patrão (em sã consciência, do ponto de vista dele...) aceita que jornalista investigue políticos, grandes empresas e bancos? Afinal, na visão do dono, jornalismo é apenas uma atividade comercial igual a outra qualquer. Não pode correr risco de perder apoios financeiros e/ou políticos.
Em alguns dos grandes veículos de imprensa, há, agora, até uma certa tolerância para a investigação. Mas vamos lembrar que sempre há o dono da voz e a voz do dono.
E surgiu, no país da Vazolândia, jornalista que se acha "investigativo" só por publicar informações vazadas. Vazamento nunca foi, não é, nem nunca será jornalismo investigativo. O profissional simplesmente dá publicidade ao fato repassado a ele por alguma autoridade interessada que o fato vaze.
Jornalista com J maiúsculo precisa ter em mente que é preciso questionar tudo o que recebe. Procurar saber se há alguma outra verdade. Principalmente se a "notícia" vier de fontes oficiais.
E jornalista sem espírito crítico não é profissional de imprensa.
Vai ser apenas o bonequinho de terno bem cortado, gravatinha e sapato bem engraxado.
Ele acha que só agradando o patrão vai estar fazendo jornalismo.
Ás vezes, é preciso "dar um murro na mesa"...
* A imagem tem o auxílio da I.A.