"Edições impressas estão acabando..." ... "A tendência é cortar salários mais altos de profissionais experientes"... "Os textos bem escritos acabaram.... falta profundidade nos conteúdos". Frases que poderiam ser ditas sobre o jornalismo em Curitiba, no Paraná, no Brasil, na América Latina ou em qualquer outra empresa de mídia do planeta. A nova ordem mundial é trocar qualidade por quantidade. E entenda-se: menos quantidade.
As citações são falas do filme "O Diabo Veste Prada" (2026), direção de David Frankel (que dirigiu, entre outros trabalhos, o sucesso de bilheteira "Marley e Eu ", em 2008, que custou 60 milhões de dólares e teve um faturamento global de 255 milhões de dólares).
"O Diabo 2" é continuação de "O Diabo Veste Prada", exatos 20 anos depois. Mesmo diretor e mesmo elenco principal. Com duas décadas entre um e outro - e com as redes sociais, que naquela época não existiam, bombando - tudo mudou razoavelmente na história. Óbvio, não poderia ser diferente. A revista Runway, dirigida por Miranda Priestly (Meryl Streep) está em crise com a digitalização da imprensa. Pra piorar, a ex-secretária dela, Emily Charlton (Emily Blunt) agora é executiva de uma marca de luxo (Dior) e é quem decide onde a empresa vai anunciar, o que pode ser um problema comercial e editorial para Miranda.
E depois de sair da revista, investir (e ganhar prêmios!) em jornalismo investigativo, quem está de volta é a repórter Andy Sachs (Anne Hathaway). Aliás, ela é uma defensora convicta do bom jornalismo. Entende que ele pode sobreviver mesmo numa área vista como "fútil" por muita gente: a moda. Na nova empreitada, Andy vai ser editora e responsável, digamos, pela credibilidade da publicação.
Claro que não dá pra esquecer do assistente Nigel (Stanley Tucci), um braço direito, ou melhor, uma sombra de Miranda. Personagem muito inteligente e com tiradas irônicas.
O legal do filme é que o elenco principal consegue manter o "frescor de ideias", apesar de o enredo ser considerado "superficial" por alguns críticos. Mas a química entre Streep, Hathaway, Blunt e Tucci continua funcionando. O "elenco de apoio" (os coadjuvantes) é luxo só (fazendo um trocadilho com moda...): Kenneth Branagh e Lucy Liu entre outros.
Curioso que Miranda (que no primeiro filme era o capiroto em pessoa...) agora está, digamos, mais contida, mais politicamente correta (do jeito dela...). Nas reuniões de pauta, tem o acompanhamento de uma assessora só para corrigi-la quando comete alguns "deslizes" preconceituosos.
Bora lembrar que o filme não foi feito só para jornalistas. É para o público em geral (constatação genial essa minha...). Acredito que, por isso, não se aprofunda mais nas questões da crise no jornalismo. Mas as principais preocupações estão lá: Os impressos praticamente acabaram; as verbas de publicidade quase sumiram por completo; as redes sociais dominam; e os "influenciadores" ganharam muito mais espaço na divisão dessa grana toda.
Se o Jornalismo vai mal, o cinema não tem do que reclamar: O filme custou cerca de 100 milhões de dólares e faturou 670 milhões de dólares globalmente nas salas de exibição. E agora ainda tem o streaming...
E será que teremos "O Diabo Veste Prada 3"? Se tivermos, espero que não leve mais 20 anos para ser produzido. Poderia ser no máximo, quem sabe, daqui a uns 5 anos, se todas as agendas baterem... e olhe que, agora, com a velocidade do mundo, 5 anos já é uma eternidade...
O principal, se sair, realmente, uma trilogia, que até lá o bom e velho jornalismo profissional não tenha acabado...
Mas vai ter a continuidade? Não tenho a menor ideia.
O que sei é que podemos ter uma pista na fala final entre Miranda e Andy.
Andy: "Mais alguma coisa?"
Miranda: "Por enquanto, não!"
* O filme está disponível no Disney +
* A imagem teve o auxílio da I.A.