Em 1993, o presidente dos Estados Unidos era o democrata Bill Clinton. A Somália, país africano, enfrentava lá seus problemas político/sociais com uma guerra civil. A população passava fome e direitos humanos eram duas palavrinhas que ninguém tinha a menor ideia do que eram por lá.
Com a vocação eterna de polícia do mundo, os americanos decidiram intervir na Somália em vez de pressionar a ONU para um solução para o (gigantesco) problema. Clinton mandou tropas do exército para derrubar o ditador que estava no poder e, na versão da Casa Branca, levar comida e ajuda humanitária para a população.
A maionese de Clinton começa a desandar quando uma operação (com dezenas de soldados americanos) tem por missão capturar dois generais locais. No papel, na prancheta dos oficiais norte-americanos, beleza! Mas na hora do "vâmo vê", no campo de batalha, as coisas não funcionam como um videogame.
No confronto, um helicóptero "black hawk" (daí o nome em português, "Falcão Negro em perigo", produção de 2001), é abatido no centro da cidade e aí começa o inferno dos americanos. Eles provavelmente não sabiam, mas boa parte da população da Somália formava uma grande milícia fiel ao líder deles.
A história (real) é ótimamente contada pelo mestre diretor Ridley Scott. E com um bom elenco afiado e com muita química: Josh Hartnett, Ewan McGregor, Tom Sizemore, Eric Bana, Jason Isaacs, Orlando Bloom, Sam Shepard e Tom Hardy.
Os americanos tomam pau na maior parte das 2h23min do longa. Scott não aliviou, não pintou os EUA como o grande líder invencível do planeta. Pelo contrário.
Um soldado americano resume bem o sentimento da tropa: "Por que entramos numa guerra que não é nossa? Porque estamos lá apenas para defender nossos companheiros no campo de batalha".
* O filme está disponível no Prime Vídeo.














