segunda-feira, 29 de maio de 2023

QUE NÃO SEJA SÓ MARKETING ESPORTIVO: TEVE RACISMO? SUSPENDE O JOGO!

    


    Ser contra o racismo não é uma questão "só" de opinião. Não é apenas dizer "não" ao racismo. Dizer "não" já ajuda bastante, mas não é só. É uma questão de princípios. É ser antirracista. É ser contra e combater movimentos e ideias que têm preconceito.
    É não ser como aquele "humorista" que apoiou o colega dele racista e, depois, "se arrependeu", dizendo que "errou". Errar, a gente erra o caminho para a praia, a receita de um bolo, um cálculo matemático, o nome de alguém. Com o preconceito racial não existe "erro". Ser contrário a quem tem preconceito é uma causa humana.
    Nesse fim de semana, a campanha "Com Racismo Não Tem Jogo" ganhou força na rodada do Brasileirão. Jogadores literalmente vestiram a camisa da causa. Capitães dos times colocaram braçadeiras com a frase. Nos telões foram exibidas mensagens. 
    É uma iniciativa (que merece palmas) da CBF e dos clubes.. Atores globais também abraçaram a ideia para dar mais visibilidade à campanha. 
    Que não fique só na intenção, na mensagem. Que ao primeiro caso de injúria racial o jogo realmente seja suspenso. Que não seja apenas marketing  esportivo.
    Registros históricos indicam que foi em 1535 (portanto há 488 anos) que chegou a Salvador o primeiro navio com negros escravizados. De acordo com o jornalista e escritor Laurentino Gomes, autor da trilogia "Escravidão", a América recebeu um total de 12,5 milhões de escravos. Só no Brasil chegaram 5 milhões.
    Laurentino diz, inclusive, que o Brasil deveria passar por uma segunda abolição (a primeira foi em 1888). E explica: "O Brasil nunca será um país decente, digno dos nossos sonhos, enquanto a imensa maioria da população não tiver educação, saúde e empregos decentes. Enfrentar a desigualdade social no Brasil é sinônimo de uma segunda abolição, porque a maioria dos pobres são negros".
    E não dá pra "esconder":  A gente sabe que manifestações racistas ocorrem com frequência, também,  nos estádios brasileiros.
    De volta ao futebol: O técnico do Manchester City, o espanhol Pep Guardiola, afirmou, ao canal ESPN, que a Espanha (e outros países escravocratas) deveriam pedir perdão aos negros por todos os males que causaram a eles. Males que são crimes, obvio.
    E foi na Espanha, num jogo do Real Madrid, com ofensas dirigias ao brasileiro Vinicius Junior,  que começou essa campanha que ganhou outros países.
    Vinicius bateu de frente com cartolas da "La Liga" (que, depois pediram desculpas ao jogador...) e garantiu que, no que depender dele, a luta contra o racismo está só começando.