Não causa surpresa. A imprensa patronal faz campanha contra o fim da escala de 6 dias de trabalho e um de folga. Bora lembrar que os barões da imprensa, na década de 60, já mandavam fazer manchetes com letras garrafais condenando o pagamento do 13º salário (!).
O alvo da hora dessa mídia é a proposta do fim da escala 6 x 1. E os grandes grupos de comunicação estão fechados nessa missão de barrar a proposta. Nessa segunda-feira, 23, a Folha chamou os brasileiros de "vagabundos" ao colocar em destaque "Brasileiro trabalha menos que a média mundial". O jornal afirma que o "esforço no Brasil é inferior ao de outras nações".
Agora é o Valor Econômico que destaca "Empresas preveem demissões e inflação com jornada 5 x 2.
Essa tática terrorista dos donos dos meios de comunicação fez o governo se mexer. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT/PR), se manifestou publicamente e reagiu às reportagens que alegam que possíveis mudanças trariam resultados negativos para a economia:
"Vamos deixar claro, primeiramente, que a redução da jornada semanal para 40 horas não surgiu ontem: é uma bandeira histórica e muito justa da classe trabalhadora".
E deu uma lapada no Valor:
"É impressionante como os setores ouvidos pelo jornal se reivindicam como avançados na economia e tecnologia, mas querem viver no século passado nas relações trabalhistas".
E "jornalistas" e "analistas", claro, fazem o serviço de "capitão do mato" dos patrões. Gente, inclusive, sem a menor formação/informação sobre economia vai para a televisão dizendo absurdos como:
"O governo quer o fim da escala 6 x 1 mas não abre mão de cobrar impostos pesados".
Bora Pensar! Em primeiro lugar, a cobrança de impostos é o que faz qualquer governo prestar serviços públicos. E isso é lei. Não é simplesmente "abrir mão" de impostos pesados. Não é uma discussão tão rasa.
Mas o governo abriu mão, sim! Do imposto de renda de quem ganha até 5 mil reais e passou a cobrar uma alíquota menor para quem ganha até 7 mil reais. Mas para defender os trabalhadores, teve muito trabalho no Congresso. O "imposto pesado" é cobrado de quem pode pagar. Exemplos: as grandes empresas, os rentistas (aqueles que vivem de juros bancários e não empreendem).
E olha que tem muita gente que pode pagar "impostos pesados" e sonega. Sonegação, claro, é crime. Se sonega porque considera "muito alto", aí tem que ser outra discussão...
Pra fechar o assunto da escala de trabalho: Pode ter certeza que o bonde do terror ainda vai circular muito por aí.
E quem conduz o bonde são "jornalistas" que pensam ser donos do negócio, patrões, mas que não passam de motorneiros.



