quarta-feira, 22 de abril de 2026

TONINHO VAZ, CURITIBANO DE JAPONA NO INVERNO INFERNAL DA CIDADE

    



    ContraculturaMovimento de contestação social, comportamental e artística que rejeita os valores dominantes, tradicionais e conservadores de uma sociedade. Teve um período forte nos anos 60 e 70.  Os movimentos hippie, punk e o tropicalismo são exemplos. A ideia era liberar costumes e criticar o consumismo.
    O jornalista e escritor curitibano Toninho Vaz (1947-2026) mergulhou e viveu esse momento/movimento. Foi o "retratista" em palavras dessa história com reportagens, ensaios, poesia e, principalmente, biografias. Escreveu, por exemplo, o livro "Solar da Fossa" que contou histórias da pensão que serviu de moradia para a turma da Tropicália no Rio de Janeiro.
    Em entrevista  à "Germina - Revista de Literatura e Arte" - contou: 
    "Eu me envolvi desde cedo com a contracultura brasileira, depois que a ditadura brasileira acabou com a vida universitária. Fui um aluno ausente na faculdade, no curso de jornalismo. Mas passei a acumular a sabedoria das ruas, dos bares e da literatura. Depois que conheci o Paulo (Leminski) ficou mais fácil conhecer a poesia que havia por trás dos contras. Eu era leitor do Torquato (Neto) no jornal Última Hora que circulava em Curitiba".
    Não foi por acaso que Toninho se tornou biógrafo de Leminski e de Torquato. Havia afinidade. E, óbvio, profissionalismo. Na mesma entrevista, definiu o trabalho de biógrafo: "Considero a biografia de pessoas vivas uma espécie de oportunismo. Não é biografia. É uma espécie de perfil. Quando se trata de depoimento pessoal (do retratado) o rigor na apuração dos fatos deve ser maior. "
    Toninho viveu e desceu ao "inferno" da contracultura. Fez parte disso e ajudou a contar o que era ser "contra" a cultura social estabelecida. 
    Parte da vida viveu (usando muita japona... que é a definição preferida no "curitibanês" para casaco grosso) no inverno de Curitiba que é "infernal" de tão gelado em alguns dias. Outra parte viveu no Rio "40 graus, cidade maravilha purgatório da beleza e do caos", como canta Fernanda Abreu.
    Agora, no paraíso, vai descansar. Descansar? Quem sabe ele não encontre por lá vários possíveis "biografáveis". Não vão faltar candidatos
    E pode até chegar para um rapaz com túnica de linho e barba e cabelos longos e mandar essa:
    "E aí, vamos fazer uma biografia definitiva? Contar, principalmente, sobre os teus anos ocultos, dos 12 aos 30 anos de idade?"
    Deus te ouça, Toninho! Deus te ouça!