terça-feira, 5 de maio de 2026

BOATO NA REDE SOCIAL VOA MAIS RÁPIDO DO QUE AVIÃO QUE CAI

     



     Acidente fatal. Avião monomotor cai em Belo Horizonte com 5 pessoas. 3 morrem. A informação surge rapidamente, quase em tempo real. E de forma quase instantânea, a sociedade já quer uma resposta. As pessoas querem saber o que causou a queda. O pequeno avião se espatifou contra um prédio. 
    Como as respostas não vêm em velocidade de jato, os questionamentos se multiplicam e começam a surgir boatos e "explicações". A internet que é povoada por um exército de técnicos de futebol, de "analistas" de política, economia, ciências em geral e cultura... também tem muitos "especialistas" em aviação que desfilam conhecimento com as conclusões mais absurdas. Só um exemplo: "Ah, é por isso que nunca vou viajar num avião pequeno...."
    Mas sejamos justos. A necessidade de ter resposta/opinião pra tudo (rapidamente!) também já está na imprensa por causa da "concorrência" das redes sociais. Aí "jornalistas" saem dando opinião ("atirando") pra todo lado! Quando não é a "convicção" deles é a de terceiros. Coisa absurda ouvi de um repórter perguntando a uma pessoa que foi apresentada como especialista no assunto:
    "Quais foram as causas da queda do avião? O que pode ter acontecido? O que o senhor pode dizer para nossa audiência?" Como o entrevistado ficava na defensiva, se esquivava, por ainda não ter nenhuma certeza, o entrevistador fez a pergunta de 1bilhão de dólares: "Mas o senhor não pode nem ESPECULAR o que aconteceu?" 
    Alguém que busca respostas, que quer informar o público, pede para o convidado "especular"? Para "especular" a internet está cheia de gente. As redes sociais estão com "overbooking" de "entendidos" em qualquer assunto.
    Diante do fato, mas sereno, racional, foi o especialista em aviação, Lito Sousa (tem canal no YouTube e perfil no Instagram). Ele é piloto, mecânico de aviões e especialista em segurança aérea. Lito afirmou na tarde do acidente em BH:
    "Não dá para ter uma resposta tão rápida quanto a informação é publicada. No caso da queda de aviões, as consequências são iguais [as aeronaves caem], mas os problemas [as causas] são diferentes. Avião acima do peso pode despencar. Mesmo leve ele pode cair... aí por falha no motor, combustível adulterado... Como não se sabe nada sobre as circunstâncias, nada se pode afirmar sobre as causas. E a resposta que queremos [num primeiro momento] não vem... Essa aeronave voou menos de 4 quilômetros. Não é possível entender o que aconteceu com a velocidade que a internet exige".
    É isso! Mas os sites de notícias e os perfis de redes sociais precisam fazer o chamado "preenchimento de tempo de espera". Precisam ir "despejando" opiniões pra manter o assunto "quente". 
    Aí é que o jornalismo profissional peca. Quando, no desespero para dar a notícia (ou a "análise") primeiro, se iguala aos "criadores de conteúdo" de rede social. Muitos desses não têm compromisso com a checagem do fato. Estão ali só pra caçar clicks, buscar engajamento e seguidores.
    Jornalista não é "criador de conteúdo digital".






     



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