terça-feira, 26 de maio de 2026

JORNALISTA? A GENTE NÃO VÊ POR AQUI...

                                             



           Nossa profissão não vai de mal a pior. Vai de pior a pior ainda! Bora lembrar que a exigência do diploma de nível superior para o exercício da profissão de jornalista no Brasil não é obrigatório desde 17 de junho de 2009.  Foi quando, numa canetada, ou numa "tesourada", o STF rasgou o diploma universitário para a profissão.
    Alegação dos senhores ministros: A exigência de formação específica era incompatível com a Constituição de 1988, o que garantia [com a decisão do Supremo] o "livre exercício da profissão em nome da liberdade de expressão e comunicação". Oi?! 
    Os magistrados fizeram uma tremenda confusão com o trabalho de jornalista profissional com o achismo das pessoas na internet, nas redes sociais, com a atividade dos "criadores de conteúdo digital". Pessoas, muitas vezes(não todas!) que em nome da "liberdade de expressão" dizem/escrevem os maiores absurdos, sem fundamento algum, sem verdade alguma. Praticam crimes de calúnia, injúria ou difamação. 
    Em parte, só em parte, alguns ministros do STF devem ter repensado a medida de acabar com o diploma, porque entre eles há os que dizem "liberdade de expressão não é liberdade de agressão". O que óbvio, é uma grande verdade.
    Na época da decisão de acabar com o diploma surgiu a informação de que os donos da mídia conservadora (também chamada de "imprensa patronal") teriam "mexido os pauzinhos" para a decisão do Supremo. Não é de se duvidar.
    Claro que chefes e chefetes de veículos de comunicação não "ousam" bater de frente com os patrões e contestar esse tipo de contratação (gente que tem outras profissões - ou nem tem profissão...). O "gestor" não vai dizer pro dono do negócio: "Não, não contrata porque não é jornalista profissional". Não vai dizer por instinto de sobrevivência. Não quer perder  salário de chefe ou não quer perder o emprego... Se vem a ordem, deixa rolar...Personalidade? A gente não vê por aqui!
    Me lembro que as coisas já foram um pouco diferentes. Só um pouco. Uma vez ouvi que, numa antiga emissora de esportes na TV a cabo (a emissora "acabou" porque mudou de nome e de perfil...) havia uma determinação: Para cada ex-boleiro contratado para comentar, um jornalista deveria ser contratado. Claro que isso não durou muito tempo.
    A coisa chegou a tal ponto que foi dado o direito ("liberdade de expressão") aos boleiros para se identificarem como "da imprensa", "jornalistas esportivos". E entre aqueles que são razoavelmente bem informados, que têm alguma formação, algum prepraro intelectual, há um time de comentaristas que dizem o óbvio, que dominam muito mal a língua portuguesa (eram bons pra dominar a bola...), que são corporativistas, lobistas e que "passam pano" pra classe.
    E como se não bastasse tudo isso, o mercado jornalístico já está sendo inundado por "coachs" e "influenciadores" que passam a fazer o trabalho de "repórter" em veículos de imprensa.
    Onde só deveriam trabalhar jornalistas profissionais diplomados.
    E o mínimo que se espera de alguém que queira ser jornalista é que tenha pensamento crítico.