Nesse fim de semana, a Casas Bahia fechou quase 300 lojas no país (298 para ser mais exato). Sobrou, claro, muito para os empregados: cerca de 2 mil foram mandados embora. Para os consumidores sobrou a incerteza, a insegurança.
Mas o que está acontecendo? A rede apresentou dívidas de 17,3 bilhões de reais. O grupo vai fazer duas apostas para sair do buraco: redução da estrutura física e investimento maior no comércio eletrônico. Aliás, essa convivência de loja com site não deu muito certo: Quem comprava no virtual do grupo sempre pagou mais barato. O motivo é claro: Com a internet, as empresas não têm todos os custos do comércio tradicional. Basta ter um depósito. No caso da "Bahia", a concorrência era com ela mesma...
O que dizem os executivos e o "deus mercado": A pressão está nas despesas financeiras. O cenário de juros altos é devastador pra quem precisa ficar pegando dinheiro emprestado por causa do elevado endividamento. Isso vira um circulo vicioso (loop).
E por que acontece essa situação? O tipo de negócio escolhido é um deles: A loja vende para os consumidores (normalmente de baixo poder aquisitivo...) para pagar em prestações "a perder de vista" e precisa pagar os bancos num prazo menor.
As famílias que compram acabam se endividando muito e têm dificuldades para pagar as prestações. O endividamento é causado por algumas razões. Entre elas desemprego e apostas em BETs. Não pagando os carnês, a rede se vê sem dinheiro e sem recursos para pagar os bancos e a indústria fornecedora.
Nessa segunda-feira, 17, está prevista uma teleconferência para os executivos explicarem aos investidores o que pretendem fazer para tentar sair da crise.
Em 2024, a Casas Bahia já recorreu à recuperação extrajudicial (negociação direta com os credores) para ganhar fôlego.
O caminho agora vai ser outro: entrou com pedido de recuperação judicial na justiça de São Paulo. Com isso, pode continuar trabalhando enquanto renegocia o que deve.
Para a Casas não cair de uma vez.
