terça-feira, 25 de agosto de 2026

"𝗙𝗔𝗖𝗧Ó𝗧𝗨𝗠": A VIDA E A OBRA DE 𝗛𝗘𝗡𝗥𝗬 𝗖𝗛𝗜𝗡𝗔𝗦𝗞𝗜.... OU MELHOR... DE 𝗖𝗛𝗔𝗥𝗟𝗘𝗦 𝗕𝗨𝗞𝗢𝗪𝗦𝗞𝗜!

                                               



     Bêbado, vagabundo, mulherengo, imoral (às vezes amoral), marginalizado, um pária. Assim foi boa parte da vida do escritor Charles Bukowski (1920-1994) e assim foi a vida de Henry Chinaski, personagem de ficção criado por Bukowski. Em verdade, um alter ego do escritor que aparece em alguns livros dele. Um  deles é "Factótum", que virou filme, em 2005, com o mesmo título.
    Dirigido pelo norueguês Bent Hamer ( que também fez o roteiro), tem Matt Dillon no papel de Chinaski. Lili Taylor faz a , digamos, namorada mais constante do personagem principal, Jan, e Marisa Tomei faz Laura, uma namorada ocasional do escritor.
    O filme conta a história do sujeito que vive de emprego tosco em emprego tosco, sendo demitido várias vezes por causa do seu comportamento (dele, não teu, estimado leitor...). Nos subempregos onde fica apenas alguns dias, ganha uns trocados (às vezes um cheque de indenização...) apenas para comprar bebida, cigarro e comer muito mal. 
    Suas namoradas acabam ajudando (com algum lugar pra morar de forma improvisada) para ele sobreviver e manter o sonho de ser escritor.  Além dos pequenos serviços, ainda ganha alguns dólares em corridas de cavalos. Já se acha um "profissional" das apostas. Mas tudo é ilusão.
    "Factótum" é baseado na obra de Bukowski. Não é a transcrição literal do livro para o cinema. Mas pra quem não tem intimidade com as obras do escritor americano, é uma boa forma de conhecer o universo bukowskiano e, quem sabe, se interessar por ele.
    Alguns espectadores chegaram a reclamar que o filme não tem a mesma "pegada" do livro. Queriam mais sexo, palavrões, bebedeira e aquele ar marginal das páginas impressas. Mas, acho que Hamer fez o que deu (e o que imaginou que daria pra fazer...) pra telona. No entanto, apesar da "grita" dos espectadores, acho - só acho - que dá pra sacar bem como era a vida do elemento.
    Bom saber que Charles Bukowski não era representante da chamada "geração beat" (o maior representante foi Jack Kerouac, autor de "On the road"), mas do chamado "realismo sujo": prosa crua, marginal,  violenta e sem metáforas idealizadas.
    O filme está classificado não como "cinema comercial", mas "cinema independente", "cinema de arte". Em 2005, custou só (!) 1 milhão de dólares. Para Hollywood, isso é troco de pinga. "Pinga" que Bokowski tanto gostava...
     Importante: a produção não foi bancada por nenhum grande estúdio, mas por investidores. E deu lucro! Custou 1 milhão e arrecadou cerca de 2 milhões e 700 mil dólares.
    Você quer saber os valores atualizados, né? Hoje seria um custo equivalente a 1 milhão e 700 mil dólares e a arrecadação de 4 milhões e 600 mil dólares.
    Daí você vê que os artistas trabalharam por um cachê baixíssimo para estar nesse filme.
    Por falar em atores, Matt Dillon e Lili Taylor estão muito bem no filme. Traduzem bem o que foi a vida de Bukowski/Chinaski:  decalitros de bebida; um cigarro acendendo no outro; perspectiva zero de viver na sociedade como ela foi formada; crítica social intensa; solidão.
    Solidão que está presente, algumas vezes, na obra de Charles Bukowski. Aqui ele afirma:
    "Eu era um homem que prosperava na solidão; sem ela, eu era como outro homem sem comida ou água. Não me orgulhava disso, mas dependia dela. A escuridão do quarto era como luz do sol para mim."
    Mas, ao mesmo tempo, decreta:
   "Por isso que você é assim meio louco. Não teve amor. Todo mundo precisa ser amado. Isso arruinou com você."

    OBS: "Factótum" significa "faz-tudo". Tem tudo a ver com o personagem.

   ALERTA DE ATENÇÃO! Se você se interessou pelo filme, ele não está disponível na TV a cabo nem no streaming. Mas... está disponível, de graça, no YouTube. Mas... precisa procurar como Factotum - Canal da Fabiana Dias. Tá com áudio original e já com as legendas em português.
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