Pedir desculpas por algo para alguém (ou ao país...) é um gesto nobre. Mas, tão importante quanto se desculpar, é ter atitudes propositivas. A ministra se disse em "estado de profunda consternação e tristeza" e "envergonhada" . Também pediu desculpas pela "intranquilidade" e o "mal-estar cívico" gerados pela crise no STF.
Belas palavras, palavras poéticas. Citou Clarice Lispector. Ela é uma intelectual admirável. Sempre faz citações de frases de efeito de grandes escritores.
Poderia ter sido mais firme nessa longa sessão plenária. Ficou borocoxô durante todo o tempo. No final, só no final..., se disse triste, desanimada com o que via. Se estava com esse sentimento (e parecia estar, pelo semblante), enquanto o "pau torava" entre os outros ministros, deveria ter sido mais firme no plenário.
Talvez fazer como disse o colega dela, Flávio Dino: "Sou um funcionário público e sirvo ao país. Não vou ficar quieto vendo isso acontecer".
Cármen Lúcia, de sólidos conhecimentos jurídicos (ocupou vários cargos no judiciário), foi nomeada para o Supremo pelo presidente Lula (PT) em 2006. Em 21 de junho daquele ano assumiu a vaga deixada por Nelson Jobim. Ela presidiu a suprema corte de 2016 a 2018.
Para quem está encantado com a fala da ministra e já defende a candidatura dela para a Presidência da República (!) lembro que ela já assumiu como presidente do país algumas vezes em 2018.
Explico: Era ano eleitoral. Em viagens ao exterior do então presidente Temer (MDB), os presidentes da Câmara e do Senado (na linha sucessória de acordo com a Constituição) não assumiram porque ficariam, segundo a lei, inelegíveis, e eram candidatos na eleição de 18...
Cármen Lúcia já está com data marcada para deixar o Supremo Tribunal Federal: abril de 2029, quando completará 75 anos. É a regra da aposentadoria compulsória quando magistrados de tribunais superiores chegam a essa idade.
