Como bom amante do esporte bretão que é, o presidente Lula se referiu ao segundo turno como a "prorrogação" do jogo eleitoral. Como são dois turnos, prefiro encarar como dois jogos. Duas partidas diferentes. Jogos de "ida e de volta".
No "jogo de ida", Flávio Bozonaro (PL) saiu na frente. Com 100% das urnas apuradas, fez exatos 56.104.503 votos. Lula (PT) ficou com 53.879. 538 votos. Diferença de 2.224.965 votos.
Flávio fez 47,03% e Lula, 45,16%.
E a coisa só mudou, no final da apuração, com a entrada dos votos do nordeste. Pra variar, né... Teve um momento na contagem de votos, que o senador bozonarista estava vencendo por quase 9 pontos de diferença e estava ganhando no primeiro turno. Fazia 50,2 a 41,6.
É como se na primeira partida da decisão do campeonato um time abrisse 2 a 0 e só nos acréscimos o outro marcasse um gol que lhe desse uma "sobrevida" para a disputa final do título.
Óbvio que numa disputa é melhor sair ganhando do que perdendo... e ainda usando a imagem do futebol, quem está atrás no placar vai ter de se desdobrar pra empatar e virar o jogo.
E onde o petista vai ter de buscar esses 2.224.965 votos para, pelo menos, empatar? Claro que terminar empatado é extremamente improvável. Pelos milhões de eleitores. Mas se isso acontecesse, pela legislação eleitoral, o candidato mais idoso seria declarado vencedor...
Vamos para a "vida prática": Lula vai precisar buscar, em primeiro lugar, nos candidatos derrotados mais votados. O terceiro colocado, Augusto Cury que fez 3.448.569; Renan Santos com 2.675.887; e Ronaldo Caiado e seus 2.605.148. Para o petista o grande problema é que são candidatos de direita e de extrema direita. Com certeza não devem recomendar voto em quem é "de esquerda". A tendência é que se aliem ao bozonarismo no segundo turno. E a problabilidade é a maior parte desses votos irem para Flávio.
Então Lula já perdeu? A possibilidade de tirar essa diferença (do primeiro turno), é muito difícil, mas não impossível.
Nesse 4 de outubro, a abstenção (pessoas que não foram votar) chegou a 21,08% ou seja, exatamente, 33.469.244 votos. O trabalho (incansável!) é ir buscar uma parte dessa gente.
E ainda: 5.975.947 eleitores anularam o voto. Bora convencer uma fatia deles a não anular no segundo turno. É difícil. Mas político é pra isso.
A bola vai rolar no terceiro domingo.
* A imagem tem o auxílio da I.A.
