segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

QUANDO VOCÊ TEM UM IRMÃO QUE ESTAVA NA CHINA SITIADA PELO CORONAVÍRUS (1)

   

    Meu irmão, minha cunhada e minha sobrinha ficaram 15 dias na China em janeiro, mês em que o coronavírus começou a se espalhar pelo mundo a partir da cidade de Whuham, localizada na região central do país.  Eles estavam em Pequim e arredores (nem puderam fazer turismo muito longe por causa das restrições sanitárias). Chegaram dia 17, três dias antes de o mundo saber que o coronavírus estava se alastrando pela China e fronteiras afora.
    Eis o relato que meu irmão fez na rede social. 
    É a série "A CHINA QUE EU VI" - episódio 1

     Até nossa chegada lá, nunca tínhamos ouvido falar de coronavírus ou que ele era uma ameaça séria. A China é muito complexa e difícil de definir em poucos dias de estada e menos ainda em poucas palavras. Vou abordar os assuntos sobre vários aspectos. Vamos lá:
     O povo chinês. Sabe o oriental sério e caladão, que tem cara de poucos amigos e vive na dele? Esqueça. O chinês não é nada disso. Vi um povo gregário, alegre, barulhento e bagunçado. Falam alto, muitas vezes gritam naquela língua incompreensível e a gente não tem certeza se estão animadamente conversando ou brigando. Ou seja, são os italianos da Ásia. Na estação de trens em Xangai vi uma mulher aos berros com o celular. As vezes eles saem no tapa. Estava em uma panificadora chiquetosa comprando uns salgados e na porta ao lado havia uma loja de chás. Comecei a ouvir gritos. Perguntei pra minha filha o que ela achava que estava havendo. Ela disse: “Deve ser um papo amigável”. Mas de repente duas vendedoras chegaram até a porta gritando e se empurrando. Com um empurrão uma delas caiu no chão. A outra tentou levantá-la, a caída se agarrou e as duas rolaram no chão. Levantaram e uma saiu empurrando a outra porta afora. Saíram aos gritos. As funcionárias da panificadora, todas bonitas, elegantes e maquiadas, adquiriram um curioso interesse no teto da loja. Dali a uns minutos as duas brigonas voltaram conversando e rindo. 
    No parque do Templo do Céu vi famílias inteiras jogando baralho e pelo barulho parecia truco. Nos trataram sempre muito bem, com respeito e um sorriso. De uma forma geral são atenciosos e te ajudam se você tem problemas. Nunca me senti inibido em me dirigir a um chinês, pois sempre sabia que seria bem recebido. Nunca me senti segregado. Ocidentais são raros mesmo em Pequim. Vi umas 10 pessoas no máximo. Meu amigo que fala mandarim as vezes comentava que os chineses passavam por nós, riam e diziam: “ih, olha lá os estrangeiros!” Alguns riam muito falando e pareciam deslumbrados se nos dirigíamos a eles. 
    Um detalhe: adoram pechinchar. Comprar um item em uma loja envolve o trabalho de debater com o funcionário tentando baixar o preço. Se o funcionário não fala inglês (pouquíssima gente fala) o jeito é abrir a calculadora do celular e ir mostrando os números que pretende pagar. Se ele te oferece por 100 yuans (60 reais) você se dispõe a pagar 20. Ele faz um drama e baixa pra 80 e deixa claro que acabou ali. Você oferece 30. Novo drama, ele baixa pra 70. Provavelmente vocês vão se encontrar lá pelos 40 e provavelmente valia 10. Mas as coisas são baratas e a gente nem acha que foi enrolado. Mesmo quando não querem pechinchar, você propõe, eles sorriem e dificilmente recusam. Não tenho o que reclamar.


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