domingo, 24 de agosto de 2025

LUTO NA IMPRENSA: A MORTE DE JAGUAR, FUNDADOR DO "PASQUIM"

                                                                          
                                                                 


     Morreu nesse domingo,24, no Rio de Janeiro, o cartunista e escritor Sérgio Magalhães Gomes Jaguaribe, o Jaguar, um dos fundadores do jornal semanal "O Pasquim". Estava com 93 anos. 
    Nasceu no Rio de Janeiro em 29 de fevereiro de 1932, um ano bissexto. Bem humorado, brincou com isso toda vida. Mas por um bom tempo foi carioca apenas de nascimento. Quando estava com 3 anos, o pai, funcionário do Banco do Brasil, foi transferido para Juiz de Fora. 
    Nova transferência do pai: Agora para Santos, onde o menino fez os antigos primário e ginásio. Foi só aos 15 anos que o futuro cartunista pode voltar ao Rio de Janeiro. 
    Trabalhou em diversos jornais e revistas até que, em junho de 1969, Jaguar e os jornalistas Tarso de Castro e Sérgio Cabral (pai do ex-governador do RJ) fundaram o Pasquim. Foi Jaguar quem sugeriu o nome: "Terão de inventar outros nomes para nos xingar", já que Pasquim significa "folheto injurioso" ou "jornal difamador".
    O jornal se tornou o porta-voz progressista de quem era contra a ditadura militar. De uma tiragem de 20 mil exemplares, alcançou os 200 mil no auge no começo da década de 1970. Durou até 1991.
    Por falar em ditadura militar, Jaguar ficou preso durante 3 meses no segundo semestre de 1970 porque o jornal fez uma sátira do quadro Independência ou Morte ( de Pedro Américo), na qual, em vez da famosa frase, Dom Pedro bradou: "Eu Quero é Mocotó!"  
    O cartunista criou alguns personagens . O mais famoso foi o ratinho Sig (uma alusão a Sigmund Freud) e que virou o símbolo do jornal.
    Boêmio, além de trabalhar no Pasquim também era (literalmente!) um agitador cultural. Foi um dos fundadores da Banda de Ipanema. Mas pra quem sempre pensava que ele era um carioca da gema (como se dizia antigamente...), afirmava: "De carioca autêntico, não tenho nada. Eu simplesmente curto o Rio como se fosse um cara de fora".
    Em 2012, aos 80 anos, revelou que sofria de cirrose e de câncer no fígado. Depois do tratamento, afirmou à Folha de S. Paulo: "Eu não sei quanto eu tenho de vida. Mas é mais do que eu esperava".
    Irônico, ácido, deixou algumas frases sobre comportamento e trabalho:

    "O Brasil continua uma merda, graças a Deus. Se não, o que seria de mim e dos meus colegas? Mas o humor não serve mais para nada. Quando uma charge, hoje, vai ser um acontecimento? O mundo e a internet assimilaram o humor de uma maneira que virou cocô de mosca. Pode xingar a mãe, falar o que quiser que não faz a menor diferença."

     "Agora, só cerveja sem álcool. Quer dizer, tem 0,5% de álcool. Ou seja, de 0,5 em 0,5 a gente pode chegar a um resultado expressivo!". 

    "Desenho mal até hoje, é que eu engano muito... Eu detesto desenhar! Se um dia eu puder ou tiver que parar de desenhar, não desenho mais. Minha única inspiração é a seguinte: 'Eu tenho que entregar a porra do desenho! Se não, eles não me pagam'"

    "Essa história [de velório tradicional] é uma aporrinhação para a família e os amigos. Além do mais, não quero que ninguém me veja dentro de um caixão. Vai faltar cinza, mas, aí, eu disse para a minha mulher incinerar um pangaré para completar o bolo". 

    E conselhos para quem pretende começar na profissão:

    "Primeiro, ele tem que ler, ver muito cartum. Conhecer tudo o que se faz nessa área, entender de artes gráficas… Eu acho que o que tá pegando em relação ao pessoal mais jovem é ter pouca informação, pouca cultura. Eles não leem. Eu leio pra cacete!