O jornalismo brasileiro cada vez mais paupérrimo, ficou (ainda!) mais pobre nessa terça-feira, 22: Morreu Zuenir Ventura, aos 95 anos, vítima de uma pneumonia. Esse sim um mestre e uma referência no jornalismo. Digo isso porque vivemos numa era em que "todo mundo" é "mestre", "maestro", "jornalista com J maiúsculo"... Qualquer Zé Ruela. Qualquer.
Além de jornalista também era escritor e era o autor do livro "1968 - O Ano que Não Terminou". Também por merecimento fez parte da Academia Brasileira de Letras.
Mineirinho de Além Paraíba, onde nasceu em 1º de junho de 1931. Além de jornalista, repórter, cronista e escritor, também foi professor. Teve uma carreira de aproximadamente 70 anos.
Formado em Letras Neolatinas pela Faculdade Nacional de Filosofia (hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro) na década de 50, trabalhou em grandes veículos de imprensa: Jornal do Brasil, O Globo, Veja, Visão, IstoÉ, Fatos e Fotos, O Cruzeiro e Tribuna da Imprensa.
O trabalho de Zuenir sempre teve o foco na defesa dos direitos humanos.
Autor de vários livros, entre os principais estão:
1968: O Ano Que não Terminou (1988) – Sua obra mais famosa, que reconstrói os bastidores do ano mais tenso da ditadura militar no Brasil até a decretação do AI-5. Cidade Partida (1994) – Livro-reportagem vencedor do Prêmio Jabuti, em que o autor investiga de perto a violência urbana e a divisão social no Rio de Janeiro a partir da favela de Vigário Geral.Inveja: Mal Secreto (1998) – Um ensaio literário e jornalístico que faz parte de uma coleção sobre os sete pecados capitais. Crônicas de um Fim de Século (1999) – Coletânea de textos jornalísticos e reflexões sobre as transformações do país na virada do milênio. 70/80: Cultura em Trânsito – Da Repressão à Abertura (2000) – Escrito em parceria com Heloísa Buarque de Hollanda e Elio Gaspari, analisa a produção cultural brasileira durante o regime militar. Chico Mendes: Crime e Castigo (2003) – Históricas e premiadas reportagens sobre a vida, o ativismo e o assassinato do líder seringueiro na Amazônia. Minhas Histórias dos Outros (2005) – Livro de memórias no qual Zuenir relembra os bastidores de suas reportagens e o convívio com grandes personalidades do Brasil.1969: O Que Fizemos de Nós (2008) – Dá pra dizer que é a continuação de seu clássico de 1968, onde investiga o destino e o legado daquela geração de jovens. Conversa sobre o Tempo (2010) – Livro construído a partir de conversas com o também escritor Luís Fernando Verissimo. Sagrada Família (2012) – Sua estreia na ficção, um romance em que mistura memórias de sua própria infância e juventude com recursos da imaginação literária. A posse na Academia Brasileira de Letras foi em 2015. Ele ocupou a cadeira nº 32 herdada de Ariano Suassuna.