Não vou entrar no aspecto artístico do filme. Para isso, já existe uma penca de críticos. Eles analisam direção, elenco, fotografia, trilha sonora, de uma produção recém-lançada. Dizem se o filme é ótimo, muito bom, bom, regular ou uma bosta. Nesse caso, prefiro fuçar os desafios do cultuado diretor britânico Christopher Nolan.
E o trabalho dele foi uma odisseia... Primeiro pra adaptar o poema épico da Grécia antiga atribuído a Homero. Digo atribuído porque não há uma certeza se a obra realmente é dele. Estudiosos até colocam em dúvida se Homero existiu.... e afirmam que o poema poderia ser uma "colagem" de textos de vários autores. O que eu acho? Nada! Não tenho conhecimento sificiente disso para "achar".
Fato é que...a Odisseia tem cerca de 12.100 versos distribuídos em 24 cantos ou livros. Já o roteiro do filme tem 240 páginas. Isso que é trabalho de "enxugar" um texto.
E, por favor, não me venham com aquela "ladainha": "Ah, mas o filme não é fiel ao poema".... "Ah, mas o diretor inventou muita coisa..." Fios e fias... o filme não é um documentário sobre a obra. É uma produção de ficção baseada no texto original...
Desculpe se te decepcionei/se te surpreendi. Mas é a vida. É o cinema.
Outro capítulo da odisseia do filme foi a gravação. Para fazer o trabalho, a IMAX desenvolveu uma nova geração de câmeras mais leves e com menos ruídos. As antigas eram pesadíssimas (cerca de 130 quilos) e muito barulhentas (o que atrapalhava bastante a captação dos diálogos). Com o novo equipamento, a filmagem foi toda feita em 70 milímetros. Mas ainda há um impedimento razoável: Cada gravação dura, em média, só 2 minutos. Isso obriga a fazer milhares de takes. E calcula-se que o rolo total (sem edição) do filme chegou a 18 quilômetros...
Mais um desafio: A interpretação. O diretor quis fazer o maior número possível de cenas em ambientes naturais/externos. E em condições reais. Se tem cenas no mar, coloca o elenco num barco e grita "ação". E e alguns dias as gravações foram feitas com mar agitado. Isso causou enjoo em parte do elenco. Nolan decidiu manter essas imagens na edição final para dar mais... realismo. Ou seria... sadismo? Brincadeirinha...
A equipe de A Odisseia viajou quase tanto quanto o personagem Odisseu na volta pra casa. Teve locações na Grécia, Itália, Escócia, Islândia, Marrocos e em Los Angeles, onde o filme foi finalizado com cenas em estúdio. Ao todo foram exatos 91 dias de gravações. Os trabalhos se encerraram exatamente em 8 de agosto de 2025.
Ao se falar em elenco e em direção/roteiro, bora lembrar outros obstáculos superados: Transpor os poemas da Grécia antiga para a linguagem do cinema para que a narrativa fosse compreendida pelos espectadores.
Ainda:
O filme diminuiu a interferência dos deuses na história. Isso foi uma das críticas dos puristas. Christopher Nolan justificou: Ele quis trazer mais humanidade para o enredo. Permitir que os personagens fossem os senhores/senhoras do destino, sem intervenções divinas.
Pra fechar, o desafio, agora, vai ser dos produtores para contar tanto dinheiro.
Estima-se que A Odisseia custou cerca de 250 milhões de dólares na produção. Também foram gastos mais uns 50% disso em marketing/propaganda. O que daria um gasto de 375 milhões de dólares.
E a arrecadação? Até a metade de agosto, o filme já arrecadou nas bilheterias cerca de 1 bilhão e 300 milhões de dólares globalmente.
Que Odisseia!
* A imagem tem o auxílio da I.A.



















