Não vou nem me aprofundar naquela discussão do "pobre de direita". Achei infeliz o título do livro do Jessé Souza. Ótimo crítico e escritor. Mas o nome da obra... hummmm, não sei se foi escolha dele ou do editor. Às vezes, o marketing da editora define um título para ficar "mais vendável", "chamar mais a atenção". Mesma coisa acontece com a escolha de títulos para filmes.
Mas só dando um pitaco: Afirmar que há "pobre de direita" é querer passar um ar de superioridade intelectual e/ou moral. Vou no popular: é dizer que o pobre que vota em candidatos da direita é burro. Como se escolhas tão importantes como na política não tivesse lá suas complexidades.
É resumir (de forma rasa) a uma disputa de futebol. O teu adversário é um otário por torcer para aquele time...Só torce porque não entende de futebol.
Bora Pensar! Um fato que eu vi nessa terça-feira, 20, semana da eleição no segundo turno, me chamou muito a atenção. Em um carro velho e detonado, um adesivo exigia: Fora Lula! Adesivo colado PELO LADO DE DENTRO do veículo.
Raciocinemos: Por que uma pessoa pobre não vota, em tese, no partido que foi criado apara representá-la, o Partido dos Trabalhadores? Claro que, se o partido não seguir os princípios para os quais foi criado, não merece o apoio da classe. Mas a história mostra que esse não é o caso. Na cronologia desde a criação, o PT esteve ao lado dos trabalhadores nas principais lutas.
O PT está no quarto mandato presidencial (3 vezes com Lula e uma com Dilma, que sofreu o golpe em 2016) e pode chegar ao quarto mandato de Luís Inácio Lula da Silva.
O partido precisa procurar saber (agora está meio tarde pra isso, esse ano...) por que existe essa rejeição até na classe trabalhadora. Havia expectativa (que se frustrou?) do governo tirar o povo da pobreza? Sabemos que da miséria absoluta conseguiu.
Mas o ser humano quer sempre mais. É natural. E quando você depende/espera muita coisa do poder público, aí a frustração é maior.
Ou será que...a direita/extrema direita soube trabalhar bem a situação e passou a "vender fumaça" para os mais pobres? E eles "compraram"?
A ciência explica: O ser humano, como um ser social, quer fazer parte dos chamados "grupos de pertencimento". O cidadão não quer apenas ser um trabalhador com emprego garantido, um salário razoável/bom que dê para pagar as contas e fazer um churrasquinho. Ele quer pertencer à maravilhosa categoria de quem "chegou lá". Daqueles que "se deram bem na vida". Mas a classe média é uma porção menor da sociedade. A média alta, então, é muito menor.
O trabalhador quer estar com aqueles que venceram na vida. Esse desejo é normal e legítimo.
Mas quando a gente vai para uma decisão importantíssima - que vai mexer com o futuro das nossas vidas - é preciso prestar atenção em quem é quem. Você vai apostar num sujeito que vende vagas no céu e que te promete uma história de prosperidade (sem explicar como isso vai ser feito...) ou vai pensar em acreditar em quem é pé no chão e garante serviços básicos de graça (SUS e educação, crédito barato para comprar a casa própria, por exemplo), reajuste da aposentadoria e do salário mínimo um pouco acima da reposição da inflação, trabalho constante para conter o custo de vida?
Óbvio que não é uma guerra tão fácil de ganhar. Se fosse, alguém criava uma fórmula e vencia todas as eleições.
O que é preciso é aquele trabalho de convencimento. De mostrar quem está realmente ao lado dos pobres. Que conhece as lutas diárias das classes mais simples. Mas fazer isso e com atitudes. Não só o blá-blá-blá.
O "Fora Lula!", a rejeição, entre os pobres pode vir daí. Da frustração de não se enxergar na sociedade como cidadãos de primeira classe. No caso com as chamadas "melhores condições de vida".
O PT vai ter de apresentar melhor o que faz pelos trabalhadores.
A condição do pobre é grave e pede urgência de solução.
E não basta os intelectuais/acadêmicos de gabinete simplesmente carimbá-lo de "direita" ou de "esquerda".
A fome não tem ideologia.
* A imagem tem o auxílio da I.A.















