quinta-feira, 16 de março de 2023

S.O.S. TRABALHADOR: O BAGAÇO DA LARANJA É TRATADO COM MAIS RESPEITO

    


    O narrador Jota Junior foi demitido do Grupo Globo depois de 24 anos. Em toda a carreira, cobriu 10 Copas do Mundo e 8 Jogos Olímpicos. E já que o ex-patrão não falou o motivo, ele mesmo se encarregou disso. Ao portal UOL, afirmou: "Falaram que a casa estava fazendo ajustes financeiros e que, no meu caso, não tinha nada a ver com entrega, com empenho. A justificativa que recebi foi puramente financeira".
    Ou seja, a "casa" considerou que o jornalista recebia um salário "muito alto". Se a "entrega" e o "empenho" estavam ok, então por que mandar embora o rapaz? Seria a "esperança" de conseguir um profissional tão gabaritado quanto ele que tope "trabalhar por menos"? Parece que sim.
    Milton Leite que, humildemente, considero ser o melhor narrador da tv brasileira, destacou a importância do trabalho do Jotinha ( como é carinhosamente chamado pelos amigos): "Desde o primeiro instante percebi que ele não é apenas uma referência como narrador, um dos melhores da história. Jota Jr é um dos melhores seres humanos que já conheci. Aprendi muito e espero continuar aprendendo com ele, na profissão e na vida".
    Jota ainda mencionou a canalhice que vinha sofrendo há algum tempo: Estava praticamente "encostado" na firma. Segundo ele, "afastado dos grandes jogos". Não trabalhava mais em "jogos de maior público". Se considerava "subaproveitado".
    E você vê, minha amiga e meu amigo, que há demissões e demissões. Em alguns casos, a casa distribui para a imprensa aquele texto de "falsa boa gente" dizendo que foi de "comum acordo", que o profissional é "sensacional, maravilhoso" que "ajudou a construir a firma", que fará muita falta. Em outros, como no caso do Jotinha, simplesmente confirmou que o jornalista não trabalha mais no local.
    O que se conclui em situações desse tipo: Executivos de grandes corporações (de todos os setores) se acham "os bons da boca"; que sem eles a firma não anda, que pintam e bordam; que agem como se fossem os donos da empresa; que pagam fortunas para "coaches" darem trocentos cursos de gerenciamento e relações pessoais... não sabem administrar a vida corporativa. Não têm a menor noção do que seja respeito humano; reconhecimento pelo trabalho de um grande profissional
    Os caras virem com a justificativa lixo de que vão mandar embora alguém porque esse alguém "ganha muito"? Não estamos falando de uma banca que vende banana na esquina. Falamos de uma das maiores empresas do Brasil. Uma multinacional do setor em que atua. Líder absoluta.
    A pessoa tem 50 anos de carreira e 24 na empresa. Repito: Cobriu 10 Copas do Mundo e 8 Olimpíadas. E o que ganha por tanta dedicação? O mapa da porta que dá para a rua.
    O bagaço da laranja é tratado com mais respeito.