André Mendonça foi indicado por Jair Bozonaro (PL) para o STF em julho de 2021. Era a indicação de um ministro "terrivelmente evangélico", nas palavras do agora ex-presidente presidiário.
Justiça (já que falamos de STF...) seja feita: Mendonça, segundo os especialistas em STF..., tem feito um trabalho bem técnico e é uma pessoa reservada. Longe dos holofotes onde muitos colegas procuram estar.
Nessa quinta-feira, 4, ele participou (como bom terrivelmente evangélico) da Marcha para Jesus em São Paulo. Até aí, tudo normal. Afinal, de acordo com a Constituição Federal, a liberdade religiosa é um direito fundamental. Liberdade para todas as religiões.
O grande problema não tem nada a ver com crença. Mas com política e justiça. André Mendonça subiu no mesmo trio elétrico que... Flávio Bozonaro (PL), que um dia já mandou essa mensagem para o banqueiro bandido, Daniel Vorcaro, que agora está preso em Brasília: "Irmão, estou e estarei contigo sempre. Não tem meia conversa entre a gente". Foi na época em que Flávio Bozó tentava extorquir 134 milhões de reais do pilantra do Banco Master, para supostamente financiar um filme sobre o papi, Jair.
Flávio está envolvido nessa bronca do Master até o último fio de cabelo, até o talo. E André Mendonça é o relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal.
O magistrado poderia ter evitado essa situação. Não que exista algo de ilegal, de conchavo, de "acerto" nesse encontro. Longe de pensar isso. Mas é sempre bom manter discrição, uma certa cautela.
De uma forma geral, ministros da Suprema Corte deveriam manter uma vida mais reservada. Se quer uma vida pública, deixa toga e entra pra política.
Quer rezar? Reza na igreja ou em casa. Deus vai ouvir do mesmo jeito....Não precisa de todo esse espetáculo.
E, por Deus, acho que Jesus Cristo estava longe dessa marcha.
